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domingo, 26 de março de 2017

FAMÍLIA EDUCA, ESCOLA ENSINA!

Vi a mensagem original do "Jornal da Educação" e acrescentei alguns pontos, deixando de uma forma também que fique mais fácil de visualizar ("formato de tela").



domingo, 19 de março de 2017

PROFESSORES, AGUENTEM FIRMES!

Recebi o texto do amigo e professor Maurício Ferreira. Fiz algumas alterações com base na minha experiência como professor. Se era uma corrente ou não, tanto faz, vejo muitas verdades.
   Somos professores e recebemos palpites e julgamentos de todo mundo. Do ministro da educação, do jornalista, do pai do aluno, das famílias. Aquela piadinha que eu tenho regalias, duas férias por ano, que eu ganho bem, que eu não deveria me aposentar... e a sensação é a de que estamos sós.
   Queria mandar um "AGUENTE FIRME" para os PROFESSORES DE VERDADE.
Para você que dá aula em duas ou três escolas (ou mais) e almoça no caminho, que não consegue jantar e engole um salgado na cantina enquanto tira dúvida de aluno, fica acordado na madrugada montando powerpoint ou outros materiais, faz as cópias na sua impressora, compra o material da aula com grana do bolso, passa do horário pra ajudar no evento, inventa evento para ajudar a escola a educar ainda melhor seus alunos. Passa o final de semana corrigindo, leva as atividades na viagem do feriado prolongado (quando dá para viajar), leva um lanchinho a mais na excursão, para o aluno que não tem condições, leva absorvente em excursão porque sempre ocorre uma emergência, compra livros pra turma, vai trabalhar doente porque não quer deixar os alunos na mão aquele dia, só falta quando o médico te obriga...
    Você que vê o aluno se perdendo na vida e tenta evitar que o pior aconteça (e dá-lhe conversa sobre álcool, drogas, violência, comportamento em sociedade), fala duro com o aluno para ver se o mesmo acorda e muda de caminho, briga com a família até levarem o pequeno no médico, deixa seus problemas em casa, porque sabe que na escola tem problemas muito maiores acontecendo de forma visível ou de forma camuflada, já foi agredido verbalmente por alunos e familiares, xingado enquanto dá aula, não é respeitado enquanto dá aula e nas redes sociais (onde você tenta e tenta ajudar também com seu conhecimento e experiência). Você que é compromissado com o processo de aprendizagem, mesmo que seus alunos não sejam, que prefere demitir-se de uma escola a seguir diretrizes erradas de quem acha que ajudar o aluno é dar 20 pontos para ele passar de ano, que vê mais seus alunos que sua família, que às vezes é criticado até por colegas de profissão que não têm o mesmo comprometimento mas "se acham"... e mesmo passando por tudo isso não desiste! "AGUENTE FIRME"!
   Esse país talvez não mereça tanto esforço, mas precisa MUITO de você. Você, com certeza, tem uma legião de alunos verdadeiramente agradecidos, que sabem disso tudo e o incluem em suas orações.
    Professores, apropriem-se do seu saber!
   Se você é professor e tem orgulho de ser, copie e cole no seu mural. E você que não exerce esta profissão mas quer nos dar um incentivo, apoio e encorajamento também pode fazê-lo. 
PS.: O texto original não é meu. Fiz várias modificações. Repudio qualquer uso político do texto original ou das minhas adaptações. Os problemas profissionais que enfrentamos não são de agora ou de 30 anos atrás... são de sempre. Governo, sindicatos, partidos políticos e até mesmo alguns colegas têm culpa pelo que aconteceu ou pelo que acontece. Não devemos perder a noção que estamos lutando pelos nossos direitos e pelos direitos dos nossos alunos a um ensino de qualidade.

sexta-feira, 10 de março de 2017

Mudanças no ENEM: o INEP/MEC sempre surpreendendo com NADA!

"Você está falando com a pessoa que trouxe para o Brasil uma maneira diferente de olhar para o ensino médio. Não posso achar que as mudanças ocorridas no Enem são positivas. Acho positivos, sim, os inúmeros benefícios concedidos associados ao resultado no Enem: o Prouni, o Fies, o Sisu. Enquanto eu estiver no Inep, qualquer modificação não deve interferir nesses direitos já conquistados. Mas o exame e a maneira como está estruturado eu não aprovo."
Trecho da entrevista da professora Maria Inês Fini ao assumir a presidência do INEP/MEC em 10/08/16 (confira AQUI)
     Foi assim que a presidenta do INEP deu indicativos que o ENEM iria sofrer mudanças radicais em sua estrutura em 2017. As questões estavam caminhando para o vestibular tradicional, o tempo para fazer a prova era exíguo, muitos candidatos sequer chegavam a ler todas as questões. Esperava-se algo que tivesse a ver com a realidade dos alunos e do ensino médio no Brasil (com ou sem reforma). Para que 45 questões de Matemática? Para que 40 questões de Português? Essas perguntas são fundamentais pois é justamente nesse exagero que o candidato se vê numa maratona e não numa avaliação. Três exíguos minutos por questões que, em geral, ocupam um quarto da página de prova, 30 páginas, sem poder usar lápis ou borracha...
     Em entrevista para a Revista Veja, três meses depois de assumir, a presidenta já adiantava que haveria mudanças:
"Revista Veja: Mas o que seriam estas mudanças na prática?
Maria Inês Fini: Da estruturação pedagógica, científica, metodológica e de medida da prova. Ninguém vai inventar a roda. Não existe outra matemática ou outra linguagem. Apenas serão outras características na estrutura da prova."
     Que coisa linda no discurso e pífia na prática. A estruturação pedagógica consistiu em mudar a prova de matemática para junto das ciências da natureza, no lugar da prova de ciências humanas. Pensei que a presidenta iria usar da sua experiência de professora para fazer uma mudança que levasse em consideração como deve ser minimamente uma prova para avaliar a capacidade do aluno do ponto de vista pedagógico. Estou louco para ver as novas e belas questões reestruturadas pedagogicamente. Quero ver a nova estruturação científica. Será que a nova estruturação metodológica e de medida irá acabar com a TRI ou inventar algo mais indecifrável?
      Todos nós sabemos, aliás estamos cansados de saber, que o número de questões é o grande problema dessa prova do ponto de vista pedagógico, metodológico, científico, estrutural, orçamentário e logístico. E nada é falado sobre isso... por que? Porque o INEP está mais preocupado em resolver o problema das pessoas que não podem fazer provas aos sábados por motivos religiosos - que no fundo foi a grande mudança ocorrida!!! E também porque os jornalistas que fazem as entrevistas ou ancoram os telejornais não entendem nadica de nada desse ENEM (só gostam de mostrar candidatos chegando atrasados e repetir releases oficiais).


      Na época da posse da presidenta do INEP muito se falou que seria uma forma do Governo Temer remediar a questão da falta de mulheres no primeiro escalão. Convidar a "criadora" do ENEM seria uma boa maneira de fazer essa correção. Talvez as correções pretendidas sejam desse mesmo nível... na forma... não no conteúdo. 
     Cansei de mandar sugestões para o MEC nas duas consultas virtuais e em e-mails. Já entendi que o INEP/MEC quer apenas realizar uma prova que selecione alunos para as faculdades e para isso qualquer prova serve pois os que chegarem na frente ganharão as vagas. Ponto final. É isso... o resto é conversa para o dia da posse da presidenta... ou coisa que o valha.

Ramon Lamar de Oliveira Junior

PS1.: Gostaria de ver o desempenho da  professora Maria Inês Fini na prova do ENEM. Não digo em relação ao número de acertos pois ela não tem obrigação nenhuma de acertar coisa alguma. Mas gostaria de ver se ela ao menos teria tempo de ler toda a prova e tentar marcar alguma coisa no gabarito. Gostaria muito.

PS2.: É um absurdo que as escolas não recebam, ao menos individualmente, as médias de seus alunos. Esses dados são referenciais importantes para melhorar o ensino. O ranking é um referencial importante para estudantes e famílias escolherem as escolas baseadas em seus resultados, bastaria eliminar as falcatruas das falsas escolas de gênios.

PS3.: Acabo de ler umas pérolas do Ministro da Educação:
O ministro da Educação, Mendonça Filho, considerou que as alterações aprimoram o exame. "Com essas medidas, nós estamos buscando um aperfeiçoamento operacional do exame e deixaremos prontas todas as adequações futuras pelas quais o Enem terá que passar em decorrência da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que nós esperamos que esteja pronta este ano", destacou. Mendonça também garantiu que a opinião pública foi "plenamente contemplada" com as mudanças. "Foi uma atitude corajosa do MEC porque, uma vez feita a consulta, você tem que contemplar a opinião pública. E nós sentimos que ela está plenamente contemplada com as medidas que o ministério tomou."
Senhor Ministro essas medidas são praticamente inócuas para a gigantesca maioria dos candidatos em termos de aperfeiçoamento do exame. E da próxima vez, façam as perguntas corretas na consulta pública para saberem o que os candidatos acham de 90 questões por dia, com textos gigantes e com três minutos apenas para responder a cada uma. Também pergunte se os candidatos confiam nessa medida feita pela TRI. Tenha coragem, ministro!!! 

quarta-feira, 8 de março de 2017

CFBio homenageia Ângelo Machado nesta sexta

Republicando de "https://www.icb.ufmg.br/destaques-categoria/1113-cfbio-homenageia-angelo-machado-nesta-sexta" e acrescentando meus comentários pessoais.
O professor Ângelo Barbosa Monteiro Machado, médico, entomólogo e escritor brasileiro de 83 anos, foi agraciado pelo Conselho Federal de Biologia (CFBio) com o titulo de “Biólogo Honorário”. Segundo a entidade, a distinção se dá devido à trajetória e pelos serviços prestados à sociedade pelo homenageado em diferentes áreas das ciências biológicas.
A sessão solene de outorga será no dia 10 de março, às 20 horas, na sede da 4ª regional do CFBio , que fica na Av. Amazonas, 298, 15º andar, no centro de Belo Horizonte.
Dentre várias realizações notáveis, apenas no ICB o professor Ângelo Machado foi responsável pela criação do Centro de Microscopia Eletrônica, e, junto com sua esposa Conceição Ribeiro da Silva Machado, também criou o Laboratório de Neurobiologia.
Como entomologista descreveu cerca de 100 espécies de libélulas. Perto de 55 organismos levam o seu nome, como homenagem de outros pesquisadores. Além de libélulas, também borboletas, abelhas, besouros, aranhas e um fungo.
Aposentou-se em 1987, como professor titular de Neuroanatomia, e, após novo concurso, retornou ao ICB como professor adjunto de Entomologia.

Um pouco mais da história de Ângelo Machado - Clique aqui para acessar Blog da Fapemig
Jô Soares conversa com Ângelo Machado - Clique aqui para assistir ao video da Rede Globo

COMENTÁRIO 

         Mais do que a felicidade, tive a honra de ser aluno do professor Ângelo Machado na disciplina de Neuroanatomia Médica, em 1983, quando eu ainda cursava Medicina. Ao final do período seguinte transferi-me para o curso de Ciências Biológicas e pouco tempo antes de formar vejo, maravilhado, que o professor tão querido fez o mesmo caminho. Começou a lecionar Entomologia e depois outras disciplinas. Não me esqueço do dia em que entramos juntos no elevador e ele falou muito gentilmente comigo "- E então, Ramon, como está indo a biologia?". Eu lhe disse que estava indo bem e que eu estava muito feliz na minha nova escolha. Ele emendou: "- Que bom, fico satisfeito. Eu também agora sou da biologia. Estou lecionando Entomologia. Mas tive que ir na biblioteca pegar uns livros porque pediram para eu substituir um professor e dar umas aulas de Protista. Ô meu Deus, eu gosto é de insetos! Agora tenho que estudar esses Protistas!!!" E deu uma gostosa gargalhada.
        Visitei-o muitas vezes em sua sala da entomologia mas não tive a oportunidade, apesar do convite, de conhecer sua coleção particular de 30.000 libélulas. Comprei dois de seus livros escritos para o público infanto-juvenil onde mistura ficção com uma boa dose de educação ambiental. Assisti inúmeras palestras, inclusive as hilárias palestras sobre a glândula Pineal onde onde conta sua vida entrelaçada com suas pesquisas, fala da esposa (a também minha querida ex-professora Conceição Machado, já falecida) e de muitas e muitas coisas que nos enchem os ouvidos, o coração e os cantinhos do cérebro onde armazenamos as boas memórias.

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Fonte: https://i.ytimg.com/vi/5iArH7xR8Ps/maxresdefault.jpg
         Ontem mesmo falei sobre ele com o colega Tião (estamos pensando em organizar - ideia do Tião - um encontro de biólogos em Sete Lagoas e claro, seria lindo se pudéssemos contar com a presença do grande mestre). 
        Ângelo Machado marcou uma geração, marcou a Medicina e marcou a Biologia, marcou a todos nós que tivemos a felicidade de conhecê-lo e desfrutar de algumas migalhas que sejam da sua intimidade.
        Fico muito, muito feliz com a homenagem prestada pelo CFBio a um dos maiores nomes da ciência brasileira. Uma verdadeira fonte de inspiração para todos nós, médicos, biólogos, pesquisadores, apaixonados pela ciência, apaixonados pela vida.

Ramon Lamar de Oliveira Junior

PS.: nunca se conseguirá listar todas as produções, intervenções, pesquisas, inspirações, "causos" e tudo o mais do grande Ângelo Machado. Sem exagero algum, ele atingiu o patamar mais alto que se espera de um ser humano e, quando por infelicidade partir, tecerá longas conversas com Charles Darwin, Gregório Mendel, Henry Bates, Ernst Mayr, Theodosius Dobzhansky, Linus Pauling... e vai por aí afora...

segunda-feira, 6 de março de 2017

Mini-postagem de utilidade pública sobre depressão. (Leiam tudo)

Encontrei esse diamante na postagem da filha de um casal amigo. Não há como não replicar. Pedi licença, fui autorizado, e aí vai...

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Fonte da imagem: www.psicologosp.com
[Mentira, não é uma mini-postagem, é grande, muito grande, mas espero que seja útil às pessoas que tenham depressão, e às que têm que lidar com alguém que tem, também]
Vou falar um pouco sobre depressão, já que é uma doença que parece muito mais comum entre os meus amigos do que eu gostaria.
Nada de novo, é claro, porque se fosse um amigo só em depressão, já seria mais do que eu gostaria. Na verdade, nem amigo precisa ser. Uma pessoa já é mais do que eu gostaria.
Como algumas pessoas sabem e outras não, eu já tive depressão. "Tive", no passado mesmo. Vou reforçar isso pq eu sei, e muita gente sabe, que ela não é uma dessas viroses bobas, que você tem a certeza que vai passar em uma semana, e muita gente que eu conheço não teve, ainda, a sorte de falar dela como uma coisa que ficou no passado. Bom, mas a minha já se foi, e tanto que eu ando muito bem, muito feliz com a minha vida, motivada com a faculdade... alegre, mas preocupada com vários amigos meus. Não sou exatamente a pessoa mais empática do mundo, mas como já passei pela depressão eu consigo ao menos saber o quanto ela é horrível (mesmo que cada pessoa reaja a ela de modos diferentes).
Eu queria poder ajudar vocês. Eu QUERO ajudar vocês. O problema é que eu não sei a forma exata de fazer isso, e mesmo quando eu tenho alguma dica boa, a maior parte das pessoas não me escutam, ou não têm como seguir ela, já que a vida de cada um vai pra um rumo diferente. Então... vou fazer esse post, falar nele grande parte das coisas que eu acho que podem ser úteis pra vocês, já que foram ou teriam sido úteis pra mim. Também pode ser útil pra quem queira ajudar alguém em depressão.
A minha depressão durou, contando a parte mais crítica dela, que foi quando notei que tava doente, três anos. Isso foi mais ou menos dos 17 aos 20, e coincidiu com minha entrada na faculdade de arquitetura. Hoje, olhando pra trás, dá pra notar que eu já tinha alguns sinais dela desde os 14 anos, e que eu tive sinais dela até perto dos 22, mas antes dos 17 eu não identificava isso e depois dos 20, como eu tava saindo de algo horrível, eu achava que já tava curada, mesmo não estando ainda. A coisa é que, chegando perto dos 22 anos, quando realmente saí dela, ficou muito claro pra mim que eu tinha saído dela. Antes eu tinha dúvidas, e tinha medo de acabar voltando pra aquela tristeza a qualquer momento.
Não tenho mais.
Algumas notas aqui, agora, sobre o que eu aprendi com tudo isso:
Quando você está em depressão, sua maior prioridade tem que ser sair dela. Abrace qualquer oportunidade que tiver, tente tudo que for oferecido e puder te ajudar, nunca exclua uma possibilidade só por achar que não vai dar certo, e esteja sempre procurando um modo de sair dela. A depressão te garante anos horríveis e, na vida, tudo se resume a quão persistente você é. Claro, isso não significa que vai ser justo. Tem gente com mais sorte, e gente que vai receber mais ajuda, e por isso alguns precisam persistir menos e outros mais. Mas desistir de si mesmo nunca vai ser uma opção. O que todos querem, de verdade, é a felicidade... e a depressão faz algumas pessoas deixarem esse objetivo de lado. Bem, retomem ele. Quando o pesadelo acabar, vão se sentir orgulhosos, e espero que vejam, tanto quanto eu vejo hoje, que a visão que eu tinha de mim mesma na depressão era ridícula: eu me achava fraca.
Você não é fraco por ficar doente. Você é muito forte por resistir a ela. A doença é sorte, a resistência é você.
Outra coisa, se puder, procure um psicólogo. Não, não um psiquiatra. Procure primeiro o psicólogo e, se ele achar que é uma questão de procurar um psiquiatra, o que é bem provável, ele vai te dizer. Se começar com medicamentos, continue indo no psicólogo. Tem muita gente por aí vivendo de medicamentos, sem nunca se tratar de verdade, nunca realmente resolver o problema. Os remédios vão te fazer conseguir fazer as coisas que você precisa fazer, sair de casa quando precisar, e é basicamente isso. Ainda é uma vida muito ruim... a única parte boa deles é que eles vão te garantir um pouco de paz e força, que você deve, sem dúvida, usar em esforços pra acabar com a depressão de uma vez por todas. Sério, a depressão tá aí por um motivo. Não é um "ah, eu tenho depressão, preciso de remédio pra sempre, é isso aí, azar meu". Procure, por favor, o motivo dela estar aí, e trate ele.
Aliás, os motivos pra depressão podem ser muitos. Podem ser tantos que eu nem acho que conseguiria citar aqui todos os que eu conheço, e isso é um dos motivos de ser difícil tratar ela de verdade, e sair dela de verdade: você tem que descobrir o motivo da sua, e aí acabar com ele.
Pra vocês terem uma ideia, o meu motivo era falta de serotonina. Depois de ir em psicólogas (e aliás, não fiquem com os primeiros psicólogos que acharem se não se derem bem com eles... cada um é diferente, existem linhas diferentes que eles podem seguir, e essas primeiras psicólogas foram horríveis pra mim, mas mais tarde eu achei outra que me ajudou muito), psiquiatra, médicos de vários tipos, hipnose, procurar respostas em espiritualidade (e nessa época eu mal acreditava em qualquer coisa), fazer duas polissonografias e ir fazendo tudo que alguém achava que poderia me ajudar, eu acabei dando de cara com a nutrição funcional, que a minha mãe encontrou e leu sobre, e pensou que poderia ajudar.
Foi a única coisa que ajudou.
Você leu ali encima que eu fui ao psiquiatra, então deve ter suposto que eu cheguei a tomar remédios, e bom, realmente tomei; e sim, como sugeri ali, falando que só a nutrição me ajudou, eles não fizeram efeito. O psiquiatra trocou a dose deles algumas vezes, e trocou de remédios duas vezes, então testei três tipos, e nenhum fez diferença. Pra ser sincera, um deles fez algum efeito por três dias, depois parou. A questão é que muitos desses remédios têm a ver com impedir a recaptura de serotonina, o que faz ela fazer efeito por mais tempo, ou trabalha diretamente em aumentar a liberação de serotonina. Pra quem não sabe, ela é um neurotransmissor muito importante pra felicidade, e sem ela é difícil, talvez impossível, se manter alegre. Além disso, ela ajuda na regulagem do sono.
E aí, tantas tentativas depois, quem me ajudou e me tirou dessa coisa horrível foi uma nutricionista que trabalha com nutrição funcional. A partir dela, e depois de alguns exames de sangue (que, ao medir a serotonina, deram 'abaixo de' tal quantidade, o que significa que era algo tão baixo que o teste não tinha sensibilidade o suficiente pra medir o quanto de serotonina que tinha), deu pra notar que o meu corpo em si estava doente, principalmente meu intestino (onde é produzida quase toda a serotonina). Ela ajustou a minha alimentação. Foi uma mudança muito drástica. Descobri que eu era intolerante a glúten e leite, passei dois meses sem comer nada do que ela me proibiu, comendo de modo saudável. Eu não sabia se ia dar certo, ainda mais depois de tanta coisa ter falhado, mas era mais uma oportunidade, e eu tinha jurado pra mim mesma que ia tentar tudo que fosse possível pra melhorar.
E aí, no final de dois meses, eu comecei a melhorar.
Eu vivi três anos horríveis pra, no final, descobrir que eu só precisava comer direito. O difícil é achar qual é o motivo da sua depressão. Quando você acha, é só tratar.
Agora vem mais duas coisas: primeiro, mesmo que você ache que saiba o motivo da sua depressão, é provável que você não saiba; segundo, mesmo que você realmente saiba o motivo pra ela ter começado, ele provavelmente não é o motivo dela ter permanecido, e nem a única coisa a ser tratada, a essa altura.
Quando você está em depressão, e começa a sair dela, você é uma pessoa completamente diferente. A depressão muda as pessoas de um modo tão radical que só ela consegue. Você vai esquecer amigos que eram muito próximos a você, vai passar a odiar coisas que você amava, vão ter músicas que você adorava escutar todo dia e que agora vão te deixar profundamente triste, lugares que você nunca mais vai querer frequentar e, talvez, até mesmo a sua própria casa ou a casa dos seus amigos e familiares passem a guardar elementos e lembranças que te deixam profundamente mal. Talvez a sua faculdade ou a sua profissão passem a parecer um inferno. E aí, nesse ponto, você vai ter algumas opções: ou você resiste a isso até que esses sentimentos se desgastem e sejam substituídos por sentimentos novos, bons ou neutros, ou você foge de tudo que é ruim pra você e vai embora, mudando de amigos, de casa e de profissão, ou você procura tratamento psicológico. Todas essas opções funcionam, cada uma a seu preço.
O que eu quero dizer, então, é que eu comecei a melhorar quando tratei a causa da depressão, mas isso ainda não era o suficiente. Eu já tinha a possibilidade de ficar feliz, e em dois meses tinha melhorado muito, e continuei melhorando muito a cada mês, mas a depressão me marcou de um modo tão horrível que, sinceramente, eu nem sabia mais quem eu era de verdade. Por mais que eu pudesse ficar feliz, e eu ficava, eu tava perdida. As coisas que eu gostava de fazer me traziam sentimentos ruins. Eu me via como uma pessoa egoísta e triste, que é o que eu era durante a depressão, mesmo eu já não sendo mais assim... e quando eu percebi, um dia, que eu não era mais assim, e que muita coisa que eu pensava antes eu já não pensava mais, foi ainda pior: quem eu era, então? E eu fui tentar lembrar do que eu era antes da depressão, e fui percebendo que ela tinha dado seus sinais desde perto dos 14 anos. Nossa! Então, quando ela começou de verdade? Então eu sou o que eu era antes dela começar? Mas antes dela começar eu era uma criança, agora eu sou uma adulta! E aí, do nada, eu tive que começar a redescobrir quem eu era. Foi difícil, muito. Até que eu arrumei uma psicóloga ótima. E aí, finalmente, eu consegui organizar as minhas ideias... e nem demorou tanto, em seis meses, vendo ela uma vez por semana, eu já era outra pessoa. Uma pessoa nova, e a pessoa que eu realmente deveria ser. A verdade é que eu ainda não sei de tudo o que eu sou, mas isso eu acho que ninguém sabe. Foi difícil, mas não me decepcionei. Eu sou uma pessoa ótima, e que melhora a cada dia.
Mais uma coisa: eu achava, de início, que foi a faculdade que me fez entrar em depressão. Durante a depressão, eu fiz vários primeiros períodos de arquitetura. Eu não passava por causa de falta, eu não conseguia me levantar de manhã pra ir pra faculdade. Quando eu me forçava a ir, eu ia chorando de casa até lá, e às vezes não conseguia entrar na sala, então ficava chorando no banheiro. Depois, quando comecei a melhorar (e achei que já tava melhor, mas não tava), eu entrei em Cinema. Gostei mais de lá, mas ainda era difícil viver naquela época. Finalmente eu decidi que não valia a pena ficar tentando cursos aleatoriamente. Cinema era legal, eu gostava... mas eu realmente amo é jogos. E meu deus, como existe diferença entre fazer algo que você gosta e fazer algo que você ama! Eu não sabia que era tanta, mas é enorme. É muito maior que a diferença entre algo que você não gosta e algo que você gosta. Mas na época que resolvi que ia trabalhar com jogos, foi algo complicado. A depressão me deixou insegura. O único curso que eu realmente queria, Design de Games, não tinha em Minas Gerais. Eu ia precisar me mudar, e na época eu mal me sentia segura o suficiente pra chamar o garçom, ou pagar alguma coisa, e com muita dificuldade eu pegava ônibus. Foi aí que entrou a psicóloga que falei, e em seis meses eu tava pronta. Vir pra São Paulo pra fazer Design de Games foi a minha melhor escolha.
Claro, isso só foi possível pq minha família teve dinheiro pra isso, mas eu tinha outros planos caso eu não conseguisse vir, pra área de jogos também, e acredito que teriam dado tão certo quanto... e se não dessem? Eu tentaria outros. O importante mesmo, nessa parte da história, foi a psicóloga. mesmo assim, muita gente da minha família já teve depressão, e cada um por um motivo, e cada uma teve um fim diferente, com psiquiatra, psicólogos ou até mesmo sem ajuda externa. O importante é achar seu caminho, e pegar todos os atalhos possíveis... e isso significa aceitar toda a ajuda que oferecerem, e procurar ajuda. Vai ser muito mais fácil se puder ter ajuda de pessoas que queiram seu bem, e ainda mais fácil se puder procurar ajuda profissional.
E agora, pra finalizar, e espero que eu não tenha esquecido de nada, cuidado com o que a depressão vai te fazer pensar. Ela vai te fazer se sentir horrível, se sentir uma pessoa ruim, se sentir fraco, se sentir sozinho... mesmo que nada disso seja verdade. E o nosso cérebro, sempre com essa vontade incrível de ligar causa à consequência, vai tentar achar o motivo desses seus sentimentos, e quando ele não achar, ele vai criar motivos aleatórios; e aí, do nada, você vai começar a culpar a você e aos outros à sua volta, até mesmo pessoas que querem te ajudar, por coisas que não são culpa sua ou deles. Vai sentir que está sozinho pq ninguém liga pra você, vai se sentir horrível pq você é burro ou feio, vai se sentir fraco pq não consegue sair de casa enquanto todos conseguem. Se tiver como, quando se sentir assim, tente pensar se isso é verdade ou não. Você tá realmente sozinho, ou tem gente que mostra que quer te ajudar e que gosta de você? Lembre dos seus pontos positivos. Lembre também que a depressão é uma doença que leva seu sono, sua memória e sua concentração com ela, e te faz ter menos vontade de se cuidar. Você tem que se curar antes de exigir coisas complexas de si mesmo.
Mas tenho uma má notícia: quando você pensar nisso, e concluir que realmente não faz sentido o que você está sentido, não significa que você vai parar de sentir isso. Uma pessoa que você ama, e que ama você, pode ficar te fazendo companhia o dia inteiro, e é provável que, quando ela for embora, você já passe a se sentir sozinho e abandonado. Talvez até mesmo enquanto está do lado da pessoa você já se sinta assim. A depressão torna difícil que você se sinta amado, mesmo que te amem. É importante você saber disso, assim você pode evitar ferir pessoas em volta de você, culpando elas por coisas que não são culpa delas.
Finalizando, as pessoas também vão te ferir. Muito. Você está em um momento frágil, e não só as palavras vão te ferir mais, mas também as pessoas vão te dizer mais palavras pra te ferir, e isso tem vários motivos. Um deles, é claro, e é o mais clássico, pessoas que não gostam de você vão aproveitar sua fraqueza pra te fazer mal. Sim, isso acontece... mas isso não vai significar nem 1% das suas feridas por palavras, a menos que você literalmente esteja morando com quem te odeia (e cuidado, você pode achar que o caso é esse, e ele pode não ser, por causa justamente do que digo a seguir): as pessoas que mais vão te ferir vão ser as pessoas que querem te ajudar, pq além de doer mais quando é alguém que você gosta falando, essas pessoas vão ficar mais com você.
Muita gente quer te ajudar, mas não sabe o que é depressão, e não tem sensibilidade, ou vai ficar muito frustrada por não saber o que fazer. Essas pessoas vão brigar com você frequentemente, vão tentar te tirar de casa. Normalmente elas acham que, se você se forçar a fazer o que precisa fazer, você vai melhorar. Elas também têm medo que você continue desmotivado e estagnado por muito tempo, por isso vão insistir que você "faça alguma coisa da vida". Isso não significa que elas não gostam de você. Não significa, também, que sejam pessoas saudáveis pra você durante a sua depressão.
Muitas outras pessoas, também, e isso até as mais empáticas, vão brigar muito com você durante a depressão, reclamar que você não escuta elas, que elas tentam te ajudar e você não quer ser ajudado. Elas também vão, frequentemente, pedir desculpa depois disso, mas nem sempre. Isso vai acontecer muito, e vai acontecer principalmente pq pessoas em depressão são MUITO difíceis de se lidar com. Elas são instáveis, atacam os outros sem perceber, sem motivo, são grosseiras, e é extremamente frustante tentar ajudar alguém em depressão quando você não descobriu ainda qual tipo de ajuda vai funcionar pra essa pessoa. Pessoas em depressão também entendem errado até mesmo elogios, e conseguem transformar as mais diversas frases em ofensas para elas mesmas, e vão ficar chateadas, e hora ou outra isso vai irritar quem estiver em volta. Se a pessoa estiver muito próxima a você, e conviver com você todos os dias, isso significa, às vezes, meses da pessoa tentando ajudar, sendo atacada, vendo alguém que ela gosta chorar, e não conseguindo fazer nada quanto a isso. É comum que, às vezes, essas pessoas que te dão apoio estejam em dias ruins, ou já estejam muito frustradas, e acabem explodindo. Acredite, é muito difícil pra elas... e elas são muito especiais, mesmo assim. Como você sabe disso? Bom, a depressão é algo tão horrível que até a gente não se aguenta, até a gente quer fugir de nós mesmos, só não fazemos isso pq não tem como. É, mas essas pessoas podem fugir de vocês, só que elas não o fazem.
Por fim, desejo sucesso a todos vocês.
E quando tudo parecer difícil, e quando não tiverem motivação pra nada, se no mínimo puderem reunir forças pra uma coisa, que essa coisa seja a vontade de se curar. Nesse momento, ela é a única coisa que vocês precisam ter.
Carolina C. N.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Todas as notas do Sisu 2016

Para quem está no desespero com o Sisu 2017, vale olhar esse arquivo que tem todas as notas do Sisu 2016. Pode ajudar na hora de procurar a faculdade que tem o curso compatível com sua nota alcançada. Dá para pesquisar todos os cursos e todas as modalidades de concorrência (basta ajustar no cabeçalho). 
Clique AQUI e boa sorte!!! (Link testado e isento de vírus!)

De: Luciano Alvarenga - Melhores do ENEM

Dicas para o Sisu 2017


terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Número de Casos de Dengue no Brasil - Novos dados de 2016

Os dados abaixo são oficiais do Ministério da Saúde a partir dos boletins epidemiológicos emitidos com atraso aproximado de um mês ou mais da data atual. 
Observem bem o gráfico, com os dados de 2016 (cinquenta e uma semanas, até 27 de dezembro). Não sei como o Ministério da Saúde tratará os dados, dando 2016 por encerrado ou acrescentando mais números dos últimos dias do ano. Contudo, a conclusão é que 2016 foi o segundo ano com mais casos de dengue no Brasil, perdendo apenas para 2015. E isso com uma campanha gigante para evitar também Chikungunya e Zica. 


OBSERVAÇÕES:

* Sobre Chikungunya: em todo o ano de 2015 foram 38.332 casos. Em 2016, nas 50 semanas analisadas, já são 265.564.

* Sobre Zika: em 2015 não encontramos os dados exatos (apenas a informação que começaram a ser observados a partir de abril e que a doença atingiu 19 estados. Algumas "estimativas" do Ministério da Saúde chegaram ao duvidoso número entre 500.000 e 1.500.000). Em 2016, nas 50 semanas analisadas, já são 214.193.

sábado, 21 de janeiro de 2017

Salinhas de Biologia e Química para os vestibulares e ENEM de 2017

Atenção alunos dos Terceiros Anos do Ensino Médio e dos Pré-Vestibulares. 
As salinhas de Biologia e Química do Prof. Ramon Lamar começarão na segunda semana de fevereiro. O curso oferecido no primeiro semestre oferece o fundamento teórico para as provas do ENEM em relação aos capítulos mais importantes e mais frequentes nas provas. Aguardem mais informações em breve!!!


quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Capivara de volta, agora na Lagoa Paulino

A foto está aí, feita pelo querido sobrinho e ex-aluno Samuel Lucius. O ratão das águas brasileiras, a capivara que tanto assustou BH com o caso de Febre Maculosa na Pampulha, o bicho que o IBAMA mandou retirar da Lagoa da Boa Vista e levar para o Parque da Cascata, o reprodutor que foi castrado mas apareceu com filhotes no mesmo Parque da Cascata tem seu ressurgimento onde? 
- Na Lagoa Paulino. 
Várias fotos já mostram isso, mas dessa vez ela parou, sorriu e fez pose.

Foto: Samuel Lucius
Não, não é a Capivara Vivi do famoso Primeiro de Abril de 2011 (veja AQUI). Essa é outra, mas até que vale a hashtag #ViviVoltou. E ainda temos o episódio pouco esclarecido de avistamento de lontra na mesma lagoa (mais de duas pessoas, inclusive eu, acreditam ter presenciado uma lontra nadando nas proximidades do vertedouro).
Pois é? Agora além de não se resolver o problema das capivaras do Parque da Cascata (porque o todo poderoso IBAMA assim desejou), surgiu mais uma. Haja!

Ramon Lamar de Oliveira Junior

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

NOTAS DO ENEM 2016

As notas do ENEM 2016 já estão sendo divulgadas no site do MEC (http://enem.inep.gov.br/participante/#/inicial). A partir daí acesse a página do participante.
Dica: O navegador FIREFOX tem se mostrado mais rápido que o CHROME.
Consulte, faça o print da tela e saia para liberar o acesso.
Como sempre, fica congestionado.
Abraços!

sábado, 14 de janeiro de 2017

Presos

   Ao se discutir seriamente sobre a situação carcerária no Brasil, temos que considerar um grande número de fatos e situações que constituem nossa herança cultural que vem lá do passado, desde o Brasil Colônia. Contudo, muita gente parece estar raciocinando como se as prisões fossem invenção recente e que não existe nenhum tido de ordenamento jurídico em relação ao "estar preso".
   A partir do momento que um indivíduo tem sua liberdade cerceada pelo Estado, cabe ao Estado garantir-lhe o cumprimento da pena em condições satisfatórias. Isso é o que devemos entender como "direitos humanos". Até na guerra existem "direitos humanos" no tratamento de prisioneiros (veja AQUI). Claro e óbvio que as entidades de direitos humanos já passaram da hora de se preocuparem só com os direitos dos criminosos e precisam também partir para a assistência às vítimas e suas famílias, sem dúvida! Mas a ausência da atenção às vítimas não é desculpa ou razão para não se dar atenção ao preso. Até porque existem vários tipos de crimes e vários tipos de presos. Muita gente simplifica a coisa como se só existissem presos por crimes hediondos e bárbaros.
   Em relação ao Brasil, com o passar do tempo, certos direitos foram acrescentados ao Código Penal de 1940, remendado e recosturado até 1991. Tal "remendismo" criou situações que antes eram teóricas e agora se manifestam como práticas, gerando decisões que provocam repúdio na sociedade. É o caso por exemplo de Suzane Von Richtofen ter direito a saídas temporárias no Dia das Mães e no Dia dos Pais, logo ela que participou da morte dos pais. Também é o caso do Estado indenizar a família dos mortos nas chacinas no interior dos presídios, como recentemente em Manaus e Roraima (Fico na dúvida em relação aos praticantes desses crimes dentro dos presídios. São investigados? É aberto um novo processo penal contra eles? A pena é aumentada? É "formação de quadrilha"?) São situações legais plenamente defensáveis no âmbito do Direito, contudo, em termos sociais não se enquadram como "justas" ou "morais" pela natureza dos crimes cometidos pelos presos.
   Dados recentes costumam ser esquecidos nas discussões. E alguns desses dados refletem o péssimo tratamento que o Estado dá aos presos que estão sob sua tutela, da mesma maneira que também pessimamente trata uma boa parte de sua população não-carcerária. Da mesma maneira que o Estado não está presente com ações positivas em boa parte das periferias e favelas (ou "comunidades"), deixando-as à mercê de traficantes ou milicianos para os quais os cidadãos têm que pagar "proteção" (coisa de Máfia!), o Estado também faz vista grossa ao que ocorre dentro de presídios onde qualquer tipo de criminoso - incluindo aí o ladrão-de-galinha - tem que pagar "proteção" e associar-se intra e extra-muros a uma facção: PCC, CV, FDN, ADA...
   De maneira absurda, celulares, drogas e armas entram nos presídios mal construídos, mal vigiados e mal fiscalizados. E os celulares funcionam! E são recarregados na energia! E não são bloqueados (inclusive com a teoria de que podem ser monitorados para verificar ordens de facções e evitar crimes fora dos muros - teoria que não funciona nadinha na prática). É tão difícil controlar isso? Má vontade? Comércio com a conivência de agentes penitenciários e outras autoridades?
   Também se questiona o tamanho da população carcerária. Que o Brasil tem a quarta maior população carcerária do mundo!!! Normal para um país que tem a quinta maior população do mundo. Em termos percentuais estamos abaixo da metade da população carcerária norte-americana. E tome crítica à construção de presídios, quando, na verdade, parece que o que precisamos mesmo é de mais e melhores presídios onde o gasto público com o encarceramento seja realmente justificável. Quando aprendemos que o Estado Brasileiro gasta R$ 2.400,00 reais por mês com um preso e R$ 2.200,00 reais por ano com um estudante de ensino médio, dá para entender que algo está muito, mas muito errado!

Alguns dados sobre população e população carcerária no mundo. Vários fatores podem explicar os valores acima: da efetividade das leis à cultura de cada país.
   Em síntese, não estou aqui para "defender bandido". A questão não é essa e isso precisa de ser entendido. Temos leis e muito das coisas estranhas que vemos acontecem por uma certa conjunção de leis que conduzem a situações legais mas que podem ser moralmente questionáveis (e devem ser questionadas sim!). Contudo, o questionamento deve ser feito no sentido de melhorar as leis, melhorar a efetividade e moralidade das mesmas. Negar as leis é partir para o anarquismo! Qual a distância no tempo para que hoje um preso perca todos os seus direitos como ser humano e amanhã seja o cidadão comum a perder os seus próprios direitos fundamentais?
   Vamos conversar, discutir, repensar, mas sem os radicalismos fáceis. Uma das características desejáveis em nós adultos é que saibamos que existem muitos tons de cinza entre o branco e o preto.

Ramon Lamar de Oliveira Junior

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Homenagem aos meus alunos... de todos os tempos!

Tantos alunos eu já tive, tantas turmas maravilhosas nos colégios (Promove, Dom Silvério, Regina Pacis, Impulso e Caetano), nos cursinhos (Promove, NDA, Corujão), nas faculdades (Unifemm e Santo Agostinho). Impossível fazer um pódio pois os degraus teriam que ser muito grandes para caber tanta gente legal, tantos "alunos-de-ouro". Escolhi esta foto ímpar para elogiar todos eles, todos são parte desse pote que podemos encontrar no final do arco-íris. Feliz Natal para todos vocês e que o ano de 2017 lhes traga muitas alegrias e realizações.


Mais fotos de ouro!!!

















sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

"Boulevard" da rodoviária de Sete Lagoas: resistirá até quando?

Eu digo desde quando aquele "Boulevard" da Rodoviária foi feito que aquilo é uma porcaria. Não houve dimensionamento algum ou nenhum estudo sobre o crescente volume de água das chuvas e do escoamento superficial. Não demora muito para aquela "obra" se destroçar numa chuva mais forte, levantada e arrancada pela força das águas. 
Em vez de fazerem uma mureta de contenção em todo o córrego, fizeram aquela porcaria pré-moldada! Nem pensem em atravessar por cima daquela lajota durante uma chuva forte! Essa passou perto! Confiram o vídeo com o nível do córrego nas últimas chuvas!

video
Trecho do vídeo feito por JM Idiomas - Sete Lagoas

Para quem não conhece a história, uma cheia violenta do Córrego do Diogo ocorreu na sexta-feira, dia 03 de março de 2006. Dois veículos foram arrastados para dentro do córrego, vitimando fatalmente três pessoas. Entre elas, meu ex-aluno Jomar Sales do Carmo. Na época, era prefeito o Ronaldo Canabrava. No ano seguinte foi construído e inaugurado pelo prefeito Leone Maciel o "boulevard" que levou o nome do Jomar. Pelo que me lembro a obra custou R$ 900.000,00. 
Na época pensei que iriam fazer algo que prestasse e o mais sensato era a colocação de murada de concreto ao longo de todo o trecho urbano do córrego onde não há uma faixa ciliar. Essa história de esconder curso d'água faz tempo que já não é mais uma boa solução. O ideal é recuperarmos os cursos d'água e lutarmos para melhorar a absorção de água pelo solo, permitindo a recarga dos aquíferos de que tanto dependemos. Aliás, impermeabilização do solo urbano em Sete Lagoas é um absurdo. Pelo Google Earth podemos ver quarteirões inteiros onde não há nem 10% de permeabilidade, isso a 30 passos da prefeitura!

No centro a Praça Barão do Rio Branco (praça da Prefeitura)... confiram se no entorno da praça os quarteirões têm 30% de área permeável como a legislação exigia (posteriormente, aqui em SL, uma "anistia" foi dada em 2012 para todos os imóveis irregulares com até 100% de impermeabilização).
Basicamente foi colocada uma laje pré-moldada sobre o córrego. Nada de alargar o leito. Nada de aprofundar a calha. Uma verdadeira bomba-relógio, pois se a enchente de 2006 passou por cima do local, por que motivos não acontecerá outra???
Claro que os jornais da época comemoravam com os releases de sempre. O http://metropolionline.com.br/ ainda dá a notícia, basta acessar clicando AQUI. Mas segue um pequeno trecho da ilusão criada e que qualquer um sabia que não seria concretizada: "O bulevar tem um projeto paisagístico arrojado que mudou a paisagem de parte da avenida Deputado Renato Azeredo. Jardins com plantas ornamentais e palmeiras compõem a nova paisagem do trecho próximo ao terminal rodoviário. Ainda no local a Prefeitura Municipal investiu em iluminação e também na recuperação de uma praça. Obras de drenagem pluvial e rede de esgoto na rua Coronel Américo Teixeira Guimarães e a construção de uma ponte de acesso à avenida Divino Padrão (Boqueirão) também fazem parte do projeto."
Certa vez presenciei alguns cadetes da PM em marcha e atividade física sobre o local. Com a marcha o piso tremia e, claro, logo passaram a se exercitar em outro local mais seguro.

Ramon Lamar de Oliveira Junior

Vídeo original em: https://www.facebook.com/JMIdiomas.com.br/videos/1373378329370349/

PS.: Eu já escrevi sobre esse assunto em maio de 2012... confira clicando AQUI, em agosto de 2010... confira clicando AQUI, em outubro de 2010... confira clicando AQUI e em janeiro de 2011... confira clicando AQUI.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Dois TCCs sobre Arborização Urbana em Sete Lagoas apresentados em 2016

Segue o resumo do TCC da minha orientanda Nívea Labanca SOUZA, intitulado "Estudo Quali-Quantitativo e da Percepção dos Moradores em Relação à Arborização Urbana do Entorno da Faculdade Santo Agostinho de Sete Lagoas (Sete Lagoas,MG, Brasil)".


RESUMO: Para que a arborização urbana possa proporcionar todos os benefícios de que é capaz aos cidadãos, é necessário bom planejamento e estudos técnicos. Essa é a maneira destas áreas verdes colaborarem com a saúde mental, física e psicológica das pessoas. O presente estudo teve como objetivo a análise qualitativa e quantitativa da arborização urbana do entorno da Faculdade Santo Agostinho, abrangendo as ruas Atenas, Coimbra, Florença, Genebra, Milão, Nápolis, Nice e Turim, do bairro Jardim Europa, de Sete Lagoas, Minas Gerais. Também foi aplicado um questionário a 41 moradores dessas mesmas ruas escolhidos de modo aleatório, para avaliação da percepção sobre a arborização local. Foram identificados 100 indivíduos arbóreos de 24 espécies, sendo 15 nativas e 9 exóticas. Apenas 21 espécimes não mostraram sinais de podas incorretas. Alto grau de podridão e outros danos provocados principalmente por poda incorreta que sugerem a necessidade de supressão estão presentes em 14 dos espécimes analisados. Não foi observada a presença de plantas parasitas nos 100 indivíduos analisados. A quase totalidade dos moradores do entorno reconhece como principais vantagens da arborização a produção de sombra e sua capacidade de tornar o ar mais fresco. A principal desvantagem apontada relaciona-se com a escuridão e e sensação de insegurança à noite. 56% dos moradores têm o interesse de melhorar a arborização plantando e cuidando de alguma árvore em sua calçada. A quantidade de árvores por quilômetro de calçada e a área verde por habitante na região estudada ficou abaixo dos valores recomendados. As calçadas largas permitem que tal situação seja corrigida no futuro.

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E do meu outro orientando, Filipe Giovani Domingos ARAÚJO, intitulado "A valoração arbórea como instrumento de conscientização dos benefícios das florestas urbanas".



RESUMO: As florestas urbanas promovem benefícios através das suas funções ambientais como: redução das ilhas de calor, ciclagem dos nutrientes, abrigo para fauna, melhoria da qualidade do ar e valorização de imóveis e espaços urbanos. É necessário valorar as florestas urbanas para se demonstrar objetivamente a importância das mesmas para a sociedade e políticas públicas. O presente trabalho utilizou o Método STEM (Standard Tree Evaluation Method), adaptado as condições locais, para a valoração monetária da arborização da Praça Barão do Rio Branco, em Sete Lagoas, Minas Gerais, Brasil. A modificação de alguns critérios fez-se necessária para facilitar a atribuição dos valores numéricos usados para a valoração das 32 árvores presentes na praça. Os dados foram registradas em tabelas e multiplicados por um valor inicial para se obter o valor de cada árvore em dólares americanos, em seguida convertidos para a moeda local. A valoração de cada árvore variou de US$ 2,700.00 a US$ 32,400.00, totalizando um valor de US$ 222,330.00. Os resultados obtidos são compatíveis com as determinações feitas por outros autores no Brasil, o que leva a apoiar a utilização do Método STEM para as nossas cidades. A metodologia utilizada mostrou-se importante no processo de Educação Ambiental e pode embasar novos valores para as multas aplicadas por poda ou supressão de árvores.

Discurso de formatura para meus afilhados do Colégio Impulso / Dezembro - 2016

Direção do Colégio Impulso,
Colegas professores e funcionários,
Amigos e familiares dos formandos,
Formandos do Terceiro Ano do Ensino Médio.

Eis que nos encontramos aqui para pintar com as tintas da paleta da emoção pura as últimas cenas dessa etapa da vida de vocês conhecida como “Ensino Médio”. Essas mesmas tintas servirão também para pintar o final da etapa da adolescência – montanha-russa de sentimentos conflitantes – e o início do que se convencionou chamar de “vida de adulto” – etapa de decisões certeiras e irrevogáveis.
Só que não! Os sentimentos conflitantes acompanharão vocês em todos os dias da vida adulta e as decisões certeiras e irrevogáveis se mostrarão muito mais frágeis do que se possa imaginar.
Não há certezas. Não há fórmulas mágicas. Não há gurus a postos em cada esquina a nos dar conselhos sensacionais sobre a vida e o viver.
Há apenas três coisas, e se ainda tenho o direito de ensinar-lhes algo, gostaria que considerassem como importante.
A primeira e mais fundamental se chama VIDA. Essa merece ser enaltecida e valorizada em todos os momentos, principalmente naqueles mais difíceis e sombrios. Nada existe como estar vivo. Chorar hoje mas com a perspectiva de poder sorrir amanhã, depois de amanhã ou sei lá quando. A nossa VIDA é nosso maior bem e o maior de bem de muitos que verdadeiramente se importam conosco.
A segunda se chama ÉTICA. Façam sempre aquilo que seus sentimentos mais profundos lhes indicam como o correto. Não prejudiquem ninguém. Não fomentem a desunião. Não se vendam por preço algum. Não almejem o ilusório e insustentável caminho do mais fácil. 
A terceira se chama AMOR. Amem sempre. Comecem por amar a si mesmos. Entendam que ninguém é mais importante que vocês mesmos. Amem-se para poder amar na máxima dimensão todos os que merecem o amor de vocês. E são muitos. E serão amados de muitas formas, mas sempre com toda a força que as cordas dos seus corações suportarem. 
Sejam muitos felizes, meus afilhados. Sejam VIDA a pulsar em todos os caminhos que trilharem. Sejam ÉTICA até nas decisões mais simples. Sejam AMOR num mundo cada vez mais dividido e raivoso. Só assim poderemos construir o futuro que sonhamos. 
Fiquem bem na fé de cada um. 
Eu, na minha fé, rogo ao Grande Arquiteto do Universo que lhes mostre sempre a luz verdadeira.

Obrigado a todos vocês!

Ramon Lamar de Oliveira Junior

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Exposição do Ivânio Cristelli

Local: Shopping Lagoa (Sete Lagoas)

O Mestre Ivânio Cristelli em sua exposição no Shopping da Lagoa Paulino (piso superior). Ivânio estará presente das 9h00 às 19h00 todo dia a partir de 19 de dezembro. Nos outros dias a exposição permanece aberta e você pode fazer contato pelos telefones disponíveis.

Foto: Ramon L. O. Junior

sábado, 10 de dezembro de 2016

Construção de tabelas e gráficos: escolhendo o número de classes.

A Amplitude Total (A) é a diferença entre o maior e o menor valor do conjunto de dados. Num exemplo de 60 indivíduos onde o valor máximo (xmax) seja 158u e o valor mínimo (xmin) seja 96u, A = 158u – 96u = 62u. Logo, a amplitude total da medida para os 60 indivíduos será de 62u.

Fórmula 1: A = xmax - xmin

Uma vez que os dados já estejam em ordem, podemos pensar em agrupá-los em classes, juntando os valores mais próximos, com a finalidade de construir uma tabela e, futuramente, um gráfico.
Como a escolha do número de classes é por tentativa, podemos iniciar com um valor máximo (k=25) e depois combinar estas classes até um valor mais razoável, onde distinguimos um padrão de distribuição, ou usarmos o bom senso e, por exemplo, com os dados variando de 96u a 158u, poderíamos escolher a amplitude de cada classe (h) igual a 10u. Começando a primeira classe com o valor 90u, e utilizando a amplitude constante (h=10u), teríamos a primeira classe de 90u a 100u; a segunda classe de 100u a 110u, etc, até a última classe de 150u a 160u. Desta maneira estaríamos construindo uma tabela com 7 (k=7) classes de tamanho 10u cada (h=10u) onde incluiríamos todos os dados.
Sturges elaborou uma fórmula para se construir tabelas e podemos utilizá-la se não estivermos dispostos a pensar muito em uma maneira de agrupar os dados.

Seja k = número de classes
n = número total de observações
h = amplitude de cada classe
A = amplitude total do conjunto de dados

Fórmula 2: k = 1 + 3,32 log n

Fórmula 3: h = A / k

No exemplo citado, k = 1 + 3,32 log 60 = 6,91; então k = 7 e a amplitude de cada classe seria h = 62/7 = 8,86. Usaremos h = 9.
Portanto, Sturges recomenda uma tabela com 7 classes com intervalos ou amplitudes de classe iguais a 9.
Antes de iniciar a construção da tabela, convém notar que o símbolo “|--” significa um intervalo fechado à esquerda e aberto à direita. Em outras palavras, se temos 96 |-- 105, isto significa que as observações de 96 a 104,99 estão incluídas neste intervalo e a observação 105 não está.
Como vimos, a fórmula de Sturges não precisa ser seguida à risca, é só uma boa escolha inicial.

(Adaptado da APOSTILA DE ESTATÍSTICA I
 do Prof. Alceu Cota Júnior – ICEX/UFMG)